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Variedades | Transplante

Terça-feira, 16 de Julho de 2019

Ave mutilada passa por transplante de penas inédito em Foz do Iguaçu

O araçari-castanho chegou ao Parque das Aves com uma das asas cortada para não voar; na segunda-feira (15), testou os primeiros voos com asa nova;

Um araçari-castanho passou por um transplante de penas inédito no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, depois de ser resgatado com uma das asas mutilada para não voar.

A ave havia sido resgatada pela Polícia Ambiental e levada ao parque, onde também funciona um centro de reabilitação, no dia 22 de abril, recebeu 19 penas no dia 5 e testou os primeiros voos com asa nova na segunda-feira (15). 

Antes, o araçari passou por um período de isolamento e adaptação a uma dieta adequada. Colocado junto a outros dois pássaros da mesma espécie, conseguiu fazer alguns voos aparentemente sem problemas.

Em breve, ele deve ser estimulado a fazer voos maiores e passará por uma nova avaliação. E, apesar de ser uma espécie silvestre e nativa, mas um animal já adulto, não deverá ser reintroduzido à natureza.

Segundo a diretora técnica do Parque das Aves, Paloma Bosso, não há indícios de onde e como o animal vivia antes, se foi capturado ainda filhote ou já adulto e se tem, por exemplo, condições de procurar alimento sozinho.

Técnica antiga

O implante de penas (imping, em inglês) é uma técnica antiga, aplicada principalmente na falcoaria – criação e treinamento de falcões - e em centros de reabilitação, e foi usada pela primeira vez no Parque das Aves.

Durante o procedimento, as penas de um banco de penas foram transferidas para o araçari-castanho. O banco é formado por penas recolhidas dos recintos e das retiradas de aves mortas.

“Com auxílio de pedacinhos de madeira, como um palito, e uma cola forte, a nova pena é adaptada no local da antiga pena, respeitando a ordem e o lado das penas”, detalha Paloma.

Como as penas já crescidas não têm terminações nervosas, o procedimento não é invasivo e não causa dor. O pássaro é anestesiado para que os técnicos possam trabalhar mais tranquilamente, sem que ele se mexa.

O implante ajuda a restabelecer a capacidade de voo dos animais e a acelerar a recuperação enquanto aguardam a troca das penas, quando é possível. As aves trocam de penas de duas a quatro vezes por ano.

Conservação de espécies

O Parque das Aves conta com mais de 1,4 mil aves de cerca de 150 espécies, metade delas proveniente do tráfico de animais. Em quase todos os casos, são vítimas de maus-tratos e chegam bastante debilitadas.

Além da atuação na recuperação destas aves, o Parque das Aves - que é aberto à visitação - atua principalmente na conservação e reprodução em cativeiro de espécies da Mata Atlântica, em especial 120 espécies e subespécies em risco de extinção.

  G1 Oeste e Sudoeste.

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