Notícias da Região | Caso Danilo Bido
Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026
Caso Danilo Bido: um ano depois, audiência é marcada e novo laudo mantém capacidade de acusado
Investigação que começou com a morte de Danilo Roger Bido Ferreira, em Iporã, ganhou uma grande reviravolta após a prisão de Diego Augusto de Lima Santos, que confessou o crime e relatou envolvimento em outras mortes. Agora, processo avança para uma nova etapa na Justiça.
O caso envolvendo a morte de Danilo Roger Bido Ferreira, encontrado morto em uma estrada rural de Iporã, entra em uma nova fase. Conforme publicação divulgada nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, pelo advogado Richard Macedo, foi designada para 11 de novembro de 2026, às 13h30min, na Comarca de Iporã, audiência de instrução e julgamento relacionada ao processo.
A publicação também informa que o laudo referente à capacidade de Diego Augusto de Lima Santos foi mantido. O documento pericial havia se tornado um dos pontos centrais do processo depois que a defesa apresentou questionamentos relacionados à condição psiquiátrica do acusado.
Em agosto deste ano, um laudo psicológico e psiquiátrico elaborado pela Polícia Científica do Paraná concluiu que Diego apresentava transtorno de personalidade antissocial e histórico de episódios psicóticos, mas que, segundo os peritos, essas condições não retiravam sua capacidade de compreender o caráter ilícito dos atos nem de determinar seu comportamento no momento dos crimes. A defesa, por sua vez, havia indicado a possibilidade de solicitar uma nova avaliação.
A madrugada que mudou o rumo do caso
Danilo tinha 32 anos, e estava em Iporã para visitar a mãe e participar de um evento. Na madrugada de 31 de agosto de 2025, depois de retornar para a residência da mãe, ele saiu novamente.
Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, Danilo disse à mãe que iria buscar um carregador na casa de um amigo. Ele estava vestido com roupa de dormir. O que inicialmente parecia uma saída rápida terminou em uma das investigações criminais de maior repercussão na região.
Na manhã daquele mesmo dia, a Polícia Militar foi acionada depois que um corpo foi localizado na estrada Jandaia, na zona rural de Iporã. A vítima foi identificada como Danilo. O corpo apresentava múltiplas perfurações provocadas por arma branca e o veículo estava a aproximadamente 100 metros do local onde ele foi encontrado.
Posteriormente, laudo do Instituto Médico-Legal apontou que Danilo havia sido atingido por 18 facadas.
A história do carregador
Um dos primeiros pontos esclarecidos pela investigação foi a informação de que Danilo teria saído para buscar um carregador.
De acordo com o delegado Luã Mota, a investigação concluiu que a história do carregador não correspondia ao real motivo da saída. Segundo ele, Danilo teria utilizado a justificativa para não preocupar a mãe.
A Polícia passou então a reconstruir os últimos momentos da vítima. Câmeras de segurança ajudaram a mapear o deslocamento de Danilo. A investigação também analisou conversas, aparelhos celulares, depoimentos e outros elementos.
Primeiro suspeito foi preso
No início da investigação, um amigo de Danilo chegou a ser preso. A prisão ocorreu em outubro de 2025. Segundo a Polícia Civil, o homem era conhecido da vítima e havia registros e circunstâncias que fizeram com que ele fosse inicialmente considerado suspeito.
O caso, porém, tomou outro rumo.
Depois de novas diligências, a Polícia concluiu que não havia elementos suficientes para responsabilizar o primeiro investigado. Ele acabou não sendo indiciado.
Essa reviravolta foi fundamental para a investigação.
A prisão de Diego
Em 5 de novembro de 2025, a Polícia Civil prendeu Diego Augusto de Lima Santos. Durante os interrogatórios, segundo as autoridades e os veículos que tiveram acesso às declarações, Diego confessou o assassinato de Danilo.
Ele também declarou ter cometido outras mortes em Iporã e chegou a se autodenominar "serial killer".
A Polícia, entretanto, deixou claro desde o início que uma confissão, isoladamente, não seria suficiente para atribuir a ele todos os crimes relatados.
Essa distinção foi importante porque Diego mencionou quatro homicídios.
Outros três assassinatos
Além de Danilo, Diego afirmou ter participação nas mortes de:
- José Antônio Rodrigues Gaia, de 61 anos, encontrado morto em março de 2025;
- Luiz Delfino Marques, de 54 anos, cuja morte havia sido inicialmente tratada de outra maneira;
- Gilberto de Lucca, de 45 anos, morto em setembro de 2025.
A Polícia Civil confirmou elementos para responsabilizá-lo, no âmbito do inquérito, pelas mortes de José Antônio Rodrigues Gaia e Gilberto de Lucca.
Já o caso envolvendo Luiz Delfino Marques permaneceu em investigação, aguardando exumação e outras diligências.
Portanto, é importante não tratar automaticamente as quatro mortes mencionadas por Diego como crimes judicialmente comprovados da mesma maneira.
A tecnologia que ajudou a investigação
Um dos elementos que ganhou destaque foi a utilização da Linha do Tempo do Google.
Depois da prisão de Diego, investigadores analisaram os dados disponíveis em seu aparelho celular. Segundo o relatório policial divulgado pela imprensa, os registros de localização colocavam o investigado na região do crime no período compatível com a morte de Danilo.
A Polícia também encontrou outros elementos, incluindo dados telefônicos, impressões digitais e informações digitais, a investigação contou com 28 depoimentos e três amigos de Danilo chegaram a ser considerados suspeitos durante o trabalho policial.
O celular de Danilo
Outro ponto investigativo foi o desaparecimento do celular da vítima. A Polícia chegou a clonar um chip associado ao número telefônico de Danilo para auxiliar no acompanhamento de mensagens e na reconstrução dos acontecimentos.
Segundo relatos atribuídos ao próprio Diego durante o interrogatório, ele teria retornado ao veículo da vítima para pegar o celular e esse comportamento teria contribuído para sua identificação.
As confissões e a cautela da Polícia
As declarações de Diego causaram grande repercussão. Em depoimento ele afirmou que havia matado Danilo "por prazer" e declarou ser um "serial killer".
Apesar da repercussão dessas declarações, a própria Polícia Civil ressaltou que as confissões relativas aos outros homicídios precisavam ser confrontadas com provas independentes.
Essa cautela explica por que os procedimentos referentes às diferentes mortes tiveram encaminhamentos distintos.
O que a investigação encontrou no celular
A investigação também identificou pesquisas realizadas no aparelho de Diego relacionadas a homicídios e ao próprio caso Danilo.
Entre os registros divulgados pela imprensa estava uma pesquisa sobre qual seria a pena para alguém que matasse a própria mãe, além de buscas relacionadas a homicídios múltiplos, ao conceito de "serial killer" e ao caso Danilo.
Esses elementos foram incorporados à investigação como parte do conjunto de informações analisadas pela Polícia.
A questão psiquiátrica
A condição psiquiátrica de Diego tornou-se um dos pontos mais importantes do processo.
Na época da prisão e das confissões, a defesa sustentou que ele possuía diagnóstico de esquizofrenia paranoide e que isso poderia afetar a confiabilidade ou a interpretação de suas declarações. A própria reportagem do Domingo Espetacular registrou que a Polícia inicialmente tratava com cautela as confissões referentes aos outros homicídios justamente pela necessidade de confirmação por provas externas.
Posteriormente, contudo, veio o laudo elaborado pela Polícia Científica do Paraná.
Publicado em agosto de 2026, o resultado apontou que Diego apresenta transtorno de personalidade antissocial e histórico de episódios psicóticos, mas concluiu que ele tinha capacidade de compreender o caráter ilícito das ações e de determinar seu comportamento quando os crimes foram cometidos. Esse é justamente um dos pontos destacados na publicação feita agora pelo advogado da família de Danilo.
Indiciamento
Em dezembro de 2025, a Polícia Civil concluiu o inquérito referente à morte de Danilo.
Diego foi indiciado por homicídio qualificado e fraude processual. A Polícia também informou o indiciamento pelos homicídios de José Antônio Rodrigues Gaia e Gilberto de Lucca.
O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná para as providências seguintes.
No caso de Luiz Delfino, a investigação permanecia separada e dependia de novas diligências, incluindo exumação.
O que mudou agora
Quase um ano depois da morte de Danilo, o caso chega a uma etapa diferente. A publicação divulgada nesta semana pelo advogado Richard Macedo informa:
"CASO DANILO BIDO: AUDIÊNCIA MARCADA. LAUDO PELA CAPACIDADE DE DIEGO MANTIDO."
Segundo a mesma publicação, foi designada audiência de instrução e julgamento para 11 de novembro de 2026, às 13h30min, na Comarca de Iporã.
A audiência representa uma nova etapa processual depois da investigação policial, do indiciamento e das discussões envolvendo a avaliação psiquiátrica do acusado.
Linha do tempo do caso
Data
Acontecimento
31/08/2025
Danilo Bido é encontrado morto em uma estrada rural de Iporã
Setembro/2025
Polícia inicia investigação e analisa câmeras, celulares e depoimentos
10/10/2025
Primeiro suspeito é preso temporariamente
Outubro/2025
Investigação avança e primeiro suspeito posteriormente deixa de ser responsabilizado
05/11/2025
Diego Augusto de Lima Santos é preso
Novembro/2025
Diego confessa a morte de Danilo e relata outros homicídios
01/12/2025
PCPR conclui o inquérito e realiza o indiciamento
Dezembro/2025
Investigação destaca dados de localização, provas digitais e outros elementos
08/08/2026
É divulgado o resultado do laudo psicológico e psiquiátrico
17/09/2026
Publicação informa manutenção do laudo e audiência marcada
11/11/2026
Data informada para a audiência de instrução e julgamento
Um caso que ainda não terminou
O assassinato de Danilo Bido começou como uma ocorrência em uma estrada rural de Iporã e, ao longo dos meses, transformou-se em uma investigação envolvendo suspeitos diferentes, tecnologia de localização, análise de celulares, confissões de múltiplos homicídios e uma discussão pericial sobre a capacidade de responsabilização do acusado.
A investigação policial já foi concluída em relação ao homicídio de Danilo e resultou no indiciamento de Diego. O processo, entretanto, segue na Justiça, e indiciamento e acusação não equivalem a condenação.
Agora, a próxima data central do caso é 11 de novembro de 2026, quando, segundo a informação divulgada pela defesa da família, está prevista a audiência de instrução e julgamento na Comarca de Iporã.
A trajetória do processo mostra também por que o caso deve ser acompanhado com cautela: algumas informações inicialmente divulgadas como suspeitas foram posteriormente descartadas, enquanto outras confissões feitas pelo acusado ainda tiveram de ser confrontadas com provas independentes.
Fontes: Repórter 24Horas com informações de Polícia Civil do Paraná, RIC Record, OBemdito, O Presente, RPC/Globo, TNOnline

















