,

Notícias da Região | Operação Enxágue

Quarta-feira, 22 de Julho de 2026

Cinco anos depois, Operação Enxágue do Gaeco chega à denúncia por fraude fiscal e lavagem

Investigação iniciada em 2019 avançou com buscas, análise de provas e agora aponta prejuízo superior a R$ 1,2 milhão

Uma investigação iniciada há mais de sete anos para apurar a exploração de jogos de azar e a possível lavagem de dinheiro avançou ontem (21), com o oferecimento de denúncia criminal contra três pessoas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR). A acusação é resultado da Operação Enxágue, conduzida pelo Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A apuração teve início em março de 2019, quando a Polícia Civil passou a investigar informações sobre uma organização envolvida na exploração do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis em Arapongas. Naquele período, foram apreendidos equipamentos e documentos em bares, e as investigações apontaram que os materiais poderiam estar ligados a um vereador do município.

Em setembro de 2020, a operação ganhou força. O Gaeco e a Polícia Civil cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em Arapongas, tendo como alvos o então presidente da Câmara Municipal, um escritório ligado à organização, um bar e outros endereços. A ação buscava reunir provas sobre a exploração dos jogos de azar e a possível lavagem do dinheiro obtido com a contravenção.

As buscas resultaram na apreensão de mais de R$ 500 mil em dinheiro, veículos de luxo e outros elementos considerados relevantes para a investigação.

Dois meses depois, em novembro de 2020, uma nova fase da Operação Enxágue ampliou o alcance das diligências. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Arapongas, Londrina, Ibiporã, Rolândia, Maringá e Jandaia do Sul. Contadores, escritórios de contabilidade e possíveis “laranjas” passaram a ser investigados.

A análise do material apreendido indicou, segundo o MPPR, a possível ocultação de pelo menos R$ 3 milhões por meio da emissão de notas fiscais falsas relacionadas à venda de sementes de capim. A investigação também apontou o uso de empresas de fachada, sócios fictícios e até profissionais contábeis já falecidos para movimentar recursos e dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis.

Ontem (terça-feira, 21), o trabalho investigativo resultou em uma nova etapa judicial. O MPPR ofereceu denúncia contra três pessoas por crimes como fraude fiscal, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, o esquema teria provocado expressivos prejuízos aos cofres públicos com o não pagamento de ICMS.

Além das penas previstas em lei, o Ministério Público pediu que os denunciados sejam impedidos de exercer cargos públicos ou funções de direção e gerência em empresas pelo dobro do tempo das eventuais penas aplicadas.

A denúncia também requer a fixação de, no mínimo, R$ 1.260.681,87 para reparação dos danos causados e o pagamento solidário de pelo menos R$ 300 mil por danos morais coletivos. O MPPR informou ainda que outras ações penais relacionadas aos fatos já foram propostas e tramitam na Justiça.

Fonte: Umuarama News

COMENTÁRIOS

Deixe seu comentário