Notícias da Região | Crimes sexuais
Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026
MP denuncia religioso por crimes sexuais e violência psicológica contra mulher no Paraná
Acusação afirma que suspeito teria usado posição de liderança e supostos rituais de cura para praticar atos libidinosos e controlar a vítima
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou criminalmente um religioso acusado de utilizar sua posição de liderança e a confiança de uma mulher para praticar atos de natureza sexual sob o pretexto de realizar rituais de cura espiritual. O caso ocorreu em Paranaguá, no Litoral do Paraná, e, segundo a acusação, envolveu ainda anos de ameaças, manipulação e violência psicológica.
A denúncia foi apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça de Paranaguá e atribui ao religioso os crimes de violação sexual mediante fraude, com abuso de autoridade religiosa, e violência psicológica contra a mulher.
De acordo com o Ministério Público, os fatos investigados começaram em 2017. A acusação sustenta que o religioso teria se aproveitado da confiança estabelecida com a vítima e da influência decorrente de sua posição dentro da instituição religiosa.
Entre 2017 e março de 2020, segundo a denúncia, ele teria convencido a mulher de que determinados procedimentos eram necessários para promover a “cura” e a “libertação” de supostos males espirituais.
O MP afirma, entretanto, que esses procedimentos seriam falsos rituais utilizados como meio para a prática de atos libidinosos contra a vítima. Os episódios teriam ocorrido tanto nas dependências da igreja quanto na residência paroquial.
Violação sexual mediante fraude
De maneira simplificada, esse crime ocorre quando alguém pratica um ato sexual ou libidinoso utilizando fraude ou outro meio que impeça ou dificulte que a vítima manifeste livremente sua vontade.
No caso denunciado em Paranaguá, a tese apresentada pelo Ministério Público é de que a suposta finalidade espiritual dos rituais teria sido utilizada para enganar a mulher. A acusação aponta ainda abuso da autoridade religiosa exercida pelo denunciado.
A situação teria mudado quando a vítima começou a questionar os atos e tentou se afastar do religioso.
Conforme o MPPR, a partir desse momento teriam começado outras formas de controle e intimidação. O denunciado teria passado a fazer ligações e enviar mensagens de maneira insistente, além de utilizar sua influência religiosa para tentar desacreditar a mulher.
A acusação sustenta ainda que o religioso teria ameaçado a vítima com supostas “pragas”, afirmando que elas poderiam provocar doenças tanto nela quanto em integrantes de sua família.
Anos de abuso
Embora os atos de natureza sexual descritos na denúncia estejam concentrados no período entre 2017 e março de 2020, o Ministério Público afirma que a violência psicológica teria continuado por aproximadamente mais quatro anos.
Segundo a Promotoria de Justiça, até meados de 2024 a mulher teria sido submetida a ameaças, constrangimentos, manipulação, humilhações, chantagens e isolamento.
Dessa forma, conforme a acusação, o caso não teria se limitado a episódios isolados. O MP sustenta que houve um processo prolongado no qual a autoridade religiosa e a relação de confiança teriam sido utilizadas primeiro para possibilitar os atos libidinosos e, posteriormente, para intimidar e exercer controle psicológico sobre a vítima.
Com o oferecimento da denúncia, caberá ao Poder Judiciário analisar a acusação e decidir sobre o andamento da ação penal. Durante o processo, Ministério Público e defesa poderão apresentar provas e argumentos.
O religioso é tratado como acusado e terá direito à ampla defesa e ao contraditório. Uma eventual responsabilização criminal dependerá do julgamento do caso e de decisão da Justiça.
Fonte: Umuarama News

















